Ragdoll

O Ragdoll é o gato que se relaxa completamente quando o pegas ao colo —daí o seu nome, que significa «boneco de trapo»— e essa docilidade é apenas a ponta do iceberg de um caráter extraordinariamente meigo, calmo e apegado às pessoas. É uma das raças mais grandes do mundo felino, com uns olhos azuis que desarmam qualquer um, e uma personalidade que o torna ideal para lares familiares, pessoas idosas ou qualquer pessoa que procure um companheiro tranquilo e muito afetuoso.

Características

Peso
Macho: Entre 6 e 9 kg (alguns ultrapassam os 9 kg).
Fêmea: Entre 4 e 6 kg.
Expectativa de vida
Entre 12 e 17 anos.
Pelagem
Semilongo, sedoso e sem subpelo denso, de textura suave ao toque.
Cor
Colorpoint em seal, azul, chocolate, lilás, vermelho e creme, com padrões bicolor, mitted e colorpoint.
Alimentação
Dieta de alta qualidade, adaptada ao seu grande porte e estilo de vida tranquilo.
Cuidados e doenças
Escovagem 2-3 vezes por semana, higiene dentária regular e consultas veterinárias periódicas.

Origens

A origem do Ragdoll é surpreendentemente recente. Foi desenvolvido na Califórnia, Estados Unidos, na década de 1960 por Ann Baker, uma criadora que trabalhou a partir de uma gata branca de pelo longo chamada Josephine e dos seus descendentes. Baker escolheu os exemplares mais tranquilos e dóceis, e foi definindo as características da raça — o pelo semilongo, os olhos azuis, o padrão colorpoint e, sobretudo, essa tendência a relaxar quando os pegam ao colo — de forma sistemática. Registou o nome «Ragdoll» como marca comercial em 1975.

Após algumas fricções com Baker, outros criadores trabalharam para estandardizar e expandir a raça para além do seu controlo exclusivo. O IRCA (International Ragdoll Cat Association) e, posteriormente, outras organizações internacionais reconheceram o Ragdoll como raça oficial. Hoje é uma das raças felinas mais populares do mundo, apreciada tanto pela sua aparência como pelo seu temperamento excecional.

Características e aptidões

O Ragdoll é um gato de grande porte, musculoso e de desenvolvimento muito lento: não atinge o tamanho adulto até aos três ou quatro anos. O seu corpo é longo e robusto, com uma cabeça em forma de cunha suave, orelhas médias inclinadas para fora e aqueles olhos azuis profundos e inconfundíveis que caracterizam a raça. O pêlo é semi-longo, sem subpêlo denso, o que faz com que não se emaranhe com tanta facilidade como outras raças de pêlo comprido. Apresenta-se em vários padrões —colorpoint, bicolor e mitted— e numa ampla variedade de cores.

O seu temperamento é tranquilo, afetuoso e notavelmente tolerante. É um gato que raramente arranha ou morde, que aceita bem a manipulação e que se dá extraordinariamente bem com crianças, cães e outros gatos. Tende a seguir os seus tutores pela casa e gosta dos momentos de contacto físico: ronronar no colo ou aninhar-se junto das pessoas é um dos seus prazeres favoritos. Não é um gato muito vocal nem hiperativo, mas também não é indiferente: está presente, perto, observando com aquela calma que o define.

Apesar do seu carácter tranquilo, o Ragdoll necessita de estimulação e de brincadeira diária. Não é um gato que se contente com o aborrecimento indefinido: gosta de brinquedos interactivos, de estruturas de escalada e do tempo de brincadeira partilhado. O seu baixo instinto predador torna-o pouco adequado para o exterior sem supervisão.

Cuidados

A pelagem do Ragdoll requer escovagem duas ou três vezes por semana para a manter livre de nós e com aquele aspeto sedoso e brilhante que a caracteriza. Por não ter subpelo denso, os emaranhados são menos frequentes do que noutras raças de pelo comprido, mas a manutenção regular continua a ser necessária, especialmente nas zonas de maior fricção —axilas, atrás das orelhas, colar—. Em épocas de muda, a escovagem mais frequente ajuda a controlar o pelo em casa. Os banhos ocasionais são bem tolerados.

A alimentação deve ser de alta qualidade e bem controlada em calorias: o Ragdoll é um gato de vida tranquila com tendência ao excesso de peso, o que pode agravar os problemas articulares e cardíacos com a idade. A higiene oral também é fundamental —escovagem ou petiscos específicos— e as consultas veterinárias anuais devem incluir um ecocardiograma para detetar precocemente qualquer problema cardíaco.

Doenças mais comuns

A doença mais relevante no Ragdoll é a cardiomiopatia hipertrófica (CMH), o espessamento das paredes do coração que pode progredir silenciosamente durante anos antes de manifestar sintomas. Existe uma mutação genética identificada na raça e os criadores responsáveis realizam testes de ADN para reduzir a sua incidência. Um ecocardiograma anual é a melhor ferramenta para a detetar atempadamente e poder gerir a sua evolução com o tratamento adequado.

A doença renal poliquística (PKD), que provoca a formação de quistos nos rins, é outra condição hereditária documentada na raça. Também existe um teste de ADN para a detetar. Com criadores certificados, controlos veterinários regulares — incluindo análises anuais — e uma alimentação de qualidade adaptada ao seu estilo de vida, o Ragdoll pode desfrutar de uma vida longa e muito prazerosa.