As raças de cão mais perigosas: mitos e verdades

Perro de raza grande en posición tranquila y amigable

Falar das raças de cão mais perigosas é entrar num terreno onde os mitos causaram mais dano do que qualquer mordida. Durante décadas, certos cães carregaram uma reputação que tem mais a ver com o sensacionalismo mediático do que com a evidência científica. A realidade é que nenhuma raça nasce perigosa; o que torna um cão um risco para o seu ambiente é quase sempre uma mistura de maus tratos, ausência de socialização e falta de responsabilidade por parte de quem o cuida.

Este artigo não pretende absolver nem condenar nenhuma raça: procura oferecer uma visão honesta, matizada e fundamentada de um debate que tem sido simplificado em excesso há tempo demais.

Existem realmente cães perigosos?

A pergunta parece óbvia, mas a resposta não o é tanto. Todos os cães podem morder, é uma capacidade biológica que partilham desde o chihuahua até o mastím, mas a probabilidade de um cão causar um dano sério depende de uma série de fatores que têm muito pouco a ver com a raça e muito a ver com a sua história de vida. Vários estudos, como os publicados pela American Veterinary Medical Association (AVMA), concluíram repetidamente que as legislações baseadas exclusivamente na raça (BSL, Breed-Specific Legislation) não são eficazes para reduzir os incidentes com cães. O que reduz a acidentalidade é a educação responsável, a socialização precoce e o bem-estar do animal.

Dito isso, não se deve cair no extremo oposto: certos cães, com determinadas características físicas e sem a educação adequada, podem causar lesões graves se ocorrer um incidente. A questão não é se certos cães são capazes de causar dano, mas quais os fatores que multiplicam ou reduzem esse risco.

As raças com maior incidência nas estatísticas de mordidas

Embora a correlação não seja causalidade, há raças que aparecem com mais frequência nas estatísticas de mordidas graves. Isso não significa que sejam 'perigosas por natureza', mas que são frequentemente raças grandes, com força considerável, que quando mordem podem causar mais dano do que um cão pequeno. São também, em muitos casos, raças que foram historicamente selecionadas para a proteção, a guarda ou o trabalho, o que as torna mais reativas se não estiverem bem socializadas.

As raças que aparecem com mais frequência em registos de incidentes graves são:

  • Pit Bull Terrier (um termo que engloba várias raças e cruzes)
  • Rottweiler
  • Pastor Alemão
  • Bull Terrier
  • Dogo Argentino
  • Dobermann
  • Fila Brasileiro
  • Presa Canario

Mas conviene sublinhar: essas mesmas raças são, nas mãos de donos responsáveis, cães equilibrados, leais e completamente seguros para conviver com famílias, incluindo crianças.

O papel da educação e da socialização

Se há algo em que a comunidade científica concorda, é que a educação e a socialização precoce são os fatores mais determinantes no comportamento de um cão, muito acima da raça. Um cachorro exposto desde cedo a diferentes pessoas, animais, ambientes e estímulos tem muito mais probabilidades de se tornar um adulto equilibrado, independentemente da sua raça.

Pelo contrário, um cão isolado, maltratado ou treinado para a agressividade pode tornar-se um risco real, seja um rottweiler ou um bichon frisé.

A legislação sobre cães perigosos em Portugal

Em Portugal, existe uma lista de raças classificadas como potencialmente perigosas, estabelecida pelo Decreto-Lei n.º 315/2009. Os proprietários destas raças devem cumprir requisitos adicionais: licença municipal, seguro de responsabilidade civil, açamo em espaços públicos e trela não extensiva. Esta norma não proibe ter estas raças, mas estabelece condições específicas para garantir a segurança.

Que alimentação necessitam estas raças?

Os cães de raças grandes, que frequentemente coincidem com as classificadas como potencialmente perigosas, têm necessidades nutricionais específicas. A sua maior massa muscular, a tendência para os problemas articulares e o ritmo de crescimento mais rápido na fase de cachorro tornam a escolha da ração especialmente importante.

Uma ração adequada para estas raças deve:

  • Ter um alto teor em proteína animal de qualidade
  • Incluir fontes de ácidos gordos omega-3 para as articulações
  • Ser formulada especificamente para raças grandes ou gigantes
  • Evitar ingredientes que possam gerar alergias ou intolerâncias

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