Anticongelante e produtos de inverno tóxicos para cães e gatos

O inverno traz consigo uma série de produtos de uso comum em casas, garagens e estradas que são altamente tóxicos para cães e gatos. Ao contrário de outras épocas do ano, no inverno a exposição a estas substâncias é mais frequente e, em alguns casos, difícil de evitar. Conhecer quais são, porque são perigosas e como agir perante uma possível intoxicação pode salvar a vida do seu animal.

Os tóxicos de inverno mais perigosos para animais

Os principais riscos de intoxicação no inverno provêm de três fontes: os produtos para o veículo (anticongelante), os tratamentos de estradas e parques de estacionamento (sal e fundentes químicos) e os raticidas, cujo uso se intensifica com o frio quando os roedores procuram refúgio no interior dos edifícios.

O anticongelante: porque atrai os animais e quão perigoso é

O anticongelante para veículos contém etilenoglicol, uma substância de sabor doce que é atrativa para cães e gatos. Mesmo pequenas quantidades são potencialmente letais: nos gatos, apenas 1,5 ml/kg de peso corporal podem causar insuficiência renal aguda; nos cães, a dose tóxica é ligeiramente maior mas igualmente muito baixa. O etilenoglicol é metabolizado no organismo gerando compostos que danificam diretamente os rins e o sistema nervoso central.

O risco não está apenas na ingestão direta de anticongelante derramado na garagem. Os animais podem ingerir quantidades relevantes ao lambir as patas após passear em ruas ou estacionamentos onde veículos deixaram vestígios do produto. Por isso, limpar as patas após os passeios de inverno é uma medida preventiva importante. Ter uma toalha ou toalhitas específicas para limpar patas à entrada de casa facilita este hábito.

Sal e fundentes para o gelo: toxicidade por cloreto de sódio

O sal e outros fundentes químicos (como o cloreto de cálcio ou o cloreto de magnésio) aplicados nas estradas para prevenir o gelo são irritantes para as patas dos animais e, se ingeridos ao lamberem-se, podem provocar toxicidade por sal. Os sintomas incluem vómitos, diarreia, letargia, tremores musculares e, em casos graves, convulsões. Além disso, o contacto prolongado das patas com estas substâncias pode causar irritação, fissuras e dor.

Para proteger as patas no inverno, existem várias opções: sapatos ou botas para cães, ceras protetoras de aplicação tópica, e os já mencionados produtos de limpeza de patas. Uma rotina de limpeza após cada passeio é suficiente na maioria dos casos para evitar problemas de irritação e intoxicação por ingestão.

Raticidas: especialmente perigosos no inverno

Com a chegada do frio, os roedores tendem a procurar refúgio no interior de habitações, garagens e armazéns, o que leva a um aumento do uso de raticidas. Estes produtos são muito tóxicos para cães e gatos, e os mais comuns (os anticoagulantes de segunda geração como a brodifacuma ou a difenacuma) actuam impedindo a coagulação do sangue, o que pode causar hemorragias internas graves.

O problema é agravado pelo facto de os animais não precisarem de ingerir o raticida diretamente: podem intoxicar-se ao consumir um roedor que já ingeriu o produto (intoxicação secundária). Por este motivo, em zonas com presença de roedores ou onde se utilizem raticidas, é importante vigiar os animais e consultar o veterinário ante qualquer suspeita.

Sintomas de intoxicação: quando suspeitar e agir

Dependendo do tóxico ingerido, os sintomas podem variar. Algumas indicações gerais de alerta:

  • Anticongelante: inicialmente pode parecer embriaguez (ataxia, desorientação), seguida de vómitos; em 24-72 horas desenvolve-se insuficiência renal aguda com letargia intensa, falta de apetite e redução ou ausência de urina.
  • Sal/fundentes: vómitos, diarreia, aumento da sede e da micção, tremores, convulsões em casos graves.
  • Raticidas anticoagulantes: palidez das mucosas, fraqueza, dificuldade respiratória, hematomas espontâneos, sangue nas fezes ou na urina, podendo demorar vários dias após a ingestão a manifestar-se.

Perante qualquer suspeita de intoxicação, contacte imediatamente o veterinário sem esperar que os sintomas piorem. Leve consigo a embalagem do produto se a conhecer, pois facilita o diagnóstico e o tratamento.

Prevenção: medidas práticas para o inverno

A melhor estratégia é a prevenção. Algumas medidas concretas:

  • Guarde os produtos anticongelantes em locais inacessíveis aos animais e limpe qualquer derrame imediatamente.
  • Limpe as patas do seu animal após os passeios, especialmente em dias de neve ou gelo tratado. Os produtos de higiene específicos para animais são formulados para ser suaves com a pele sensível das patas.
  • Se utilizar raticidas em casa, opte por armadilhas mecânicas em vez de venenos, ou coloque os iscas em locais completamente inacessíveis aos seus animais de estimação.
  • Reforce no inverno a rotina de suplementação se o seu animal tem tendência a lamber as patas ou a ingerir substâncias do exterior. Consulte o veterinário sobre suplementos de apoio renal ou hepático se houver uma exposição frequente a tóxicos ambientais.
  • Mantenha o seu animal aquecido e confortável em camas adequadas para o inverno, pois um animal bem descansado tem um sistema imunológico mais resistente.

O que fazer em caso de emergência

Se suspeitar que o seu animal ingeriu anticongelante, sal em excesso ou raticida, não espere que os sintomas apareçam: contacte imediatamente o veterinário ou um centro de emergências veterinárias. Nestes casos, o tempo é crítico. Não induza o vómito sem indicação do veterinário, pois em alguns casos pode piorar a situação. Se tiver a embalagem do produto, leve-a consigo.

Ter um botão de emergência veterinária nos contactos do telemóvel e conhecer o centro mais próximo aberto 24 horas pode fazer a diferença numa situação de risco.